ARTIGOS

O direito de todas as mulheres à maternidade

Esse direito e desejo vale também para as mulheres que vivem com HIV

09/07/2019 às 11:44:04

Falar de maternidade é falar de um momento de reorganização tanto emocional quanto social das mulheres em geral e na mulher que vive com HIV é potencializada essa carga emocional por vários fatores como medos, angústias, julgamentos, discriminação, preconceito, etc., o que também afeta esse novo ser social que se apresenta, trazendo mais culpas e responsabilidades.

Várias mulheres sonham ser mãe, outras não, são direitos adquiridos com relação a saúde reprodutiva. Esse direito e desejo vale também para as mulheres que vivem com HIV, sendo um direito de escolha se quer ou não ser mãe, quantos filhos desejam e em qual momento de sua vida.

Porém, antes de falar da maternidade, temos que pensar em outro momento: o da gravidez, pois são momentos diferentes.  Na gravidez vêm as mudanças no corpo acompanhadas de medos e incertezas e ainda envolve cuidados e responsabilidades, nesse momento é importante ter apoio e suporte para vencer essas culpas, medos e incertezas.

No entanto, vivenciar esse momento sabendo que se tem um vírus, sem  apoio e condições seguras para a mãe e o bebê, com certeza não será uma experiência como toda mulher sonha e merece.

Pois bem, a mulher que vive com HIV como qualquer gestante sofre os mesmos conflitos e incertezas durante a gravidez, mas quando se vive com HIV enfrenta ainda o medo de transmitir o vírus para o bebê, para o parceiro caso seja sorodiferente e ainda em alguns casos teve que lidar com os julgamentos de profissionais, familiares e da sociedade em geral.

É uma carga emocional de fato muito pesada, considerando que essa mulher está grávida e cria expectativas de ser um momento único e em sua vida e ela tem esse direito como todas as mulheres que pretendem passar por essa experiência.

Ainda nos dias de hoje acompanhamos casos de profissionais e várias pessoas estimulando o preconceito e discriminação com relação aos direitos reprodutivos das pessoas que vivem com HIV.

Afinal, quem decide se quer engravidar ou não?

Eu como mulher, feminista, assistente social, vivendo com HIV, mãe de Izabelle (antes do HIV) e Matheus (depois do HIV) afirmo que quem decide somos nós mulheres, ou casal.

Temos os mesmos direitos que todas as mulheres, ou seja, a uma gestação segura, livre de julgamentos e discriminação e a um filho saudável.

Hoje estudos e pesquisas nos mostram que a pessoa que tem acesso e adesão ao tratamento e se encontra indetectável não transmite o vírus, nem por relações sexuais e nem na gestação.  Ainda não podemos amamentar o que pode causar um desconforto e até tristeza e ainda um sentimento de inferioridade, pois sabemos da importância desse momento para o bebê, contudo no nosso caso, “Não amamentar é um ato de amor”!

Enfim, atualmente temos um novo cenário, por meio do acesso universal ao tratamento pelo SUS, houve uma baixa na transmissão vertical (de mãe para filho), é um direito garantido por lei, onde as mulheres com HIV possam ter uma gravidez tranquila, com segurança e sem riscos para o bebê ou parceiro se infectar, seguindo todas as recomendações médicas e medidas preventivas.

Para finalizar, desejo a todas as mães que vivem com HIV não só no dia que se comemora, mas em todos os dias: muitas felicidades, muita saúde, profissionais empáticos, medicamentos e exames sempre disponíveis, zero preconceito e discriminação, nenhuma violência e o amor que não pode faltar em nossas vidas!

E para aquelas jovens e adultas que vivem com HIV e desejam ser mães: não desistam de ser mães, tenham uma gravidez tranquila, filhos saudáveis e que vivam plenamente a maternidade, pois ser mãe com HIV é um direito.

Com carinho,

* Heliana Moura é assistente social e membro do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas.

Porque o sangue que herdamos não é somente o que trazemos ao chegar ao mundo. O sangue que herdamos está feito das coisas que comemos quando crianças, das palavras que nos cantaram ainda no berço, dos braços que cuidaram de nós, da roupa que nos agasalhou e das tempestades que outros venceram para nos dar a vida. Mas, sobretudo, o sangue se tece com as histórias e os sonhos de quem nos faz crescer.
Ángeles Mastretta

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