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Luta contra retrocessos políticos direcionam abertura do V Encontro Regional da RNP+ Nordeste

13/06/2019 às 15:07:21

O V Encontro Regional da Rede de Pessoas Vivendo com HIV no Nordeste começou nessa quarta-feira (12), na cidade de Fortaleza, Ceará, e foi norteado por falas politizadas à respeito da resistência das pessoas que vivem com HIV/aids diante dos retrocessos apontados pelo movimento social. Nessa edição, o coordenador administrativo da RNP+ Ceará, Vando Oliveira,afirmou ter encontrado muitas dificuldades para obter apoio à realização do evento que acontece a cada dois anos, o que quase impediu que o encontro acontecesse.

“Estamos em tempos difíceis para discutir política de aids. É uma realidade do Brasil considerando o governo atual, mas estamos aqui pelo compromisso com a região nordeste.” Vando aproveitou a oportunidade de fala na mesa de abertura para parabenizar a recente conquista das pessoas pessoas que vivem com HIV no Congresso após a derrubada do veto de Bolsonaro a respeito da aposentadoria por invalidez.

Representando a Assembleia Legislativa de Fortaleza, Helena Vieira, foi enfática ao convidar o movimento social para participar de forma ativa na construção de pautas políticas. “Vivemos um momento em que a parceira entre movimentos sociais é fundamental para garantir que as pessoas que vivem com HIV e seus familiares possam viver com dignidade mínima. Vivemos um novo ciclo de aumento no número de detecção de HIV/aids”, disse ao ressaltar que, no estado do Ceará, são registrados 70 novos casos por mês. “É preciso mobilização e isso depende também de cobrar o poder público. A ausência da Secretaria Estadual de Saúde no evento, mesmo sob convite, mostra o nível de compromisso do estado com essa causa. O Ceará é um dos cinco estados do país onde o HIV mais cresce. Então, as cobranças precisam ser incisivas.Precisamos garantir que nossos estados façam a política acontecer, isso depende de articulação com parlamentares, de movimentação da sociedade civil e de vontadepolítica.”

O Deputado Estadual Acrisio Sena aproveitou a oportunidade para garantir que continuará colocando seus recursos disponíveis na causa do HIV e prometeu direcionar uma emenda parlamentar à luta da RNP+ Ceará. Ele solicitou, também, que os estados da região nordeste possam organizar frentes parlamentares para discutir os direitos das pessoas vivendo com HIV/aids para que possam acontecer articulações entre os nove estados da região.  

Da Câmara Municipal de Fortaleza, o vereador Heron Moreira relatou que, quando médico na década de 80 participou da primeira discussão sobre HIV na cidade. “A medicina é também um compromisso social. Quem trata não é o remédio, é o calor humano e a luta justa”, disse ao enfatizar a necessidade de replicar a ideia de construir frentes parlamentares em cada estado.

A importância do movimento social foi enfatizada por Ana Virgínia, da Comissão de Direitos Humanos da OAB Ceará, que esclareceu sobre o registro de denúncias e demandas para articulações. “Os movimentos sociais é que consolidam a democracia, também vamos trabalhar para levar as demandas das pessoas que vivem com HIV até a OAB a nível nacional.”

Nesse sentido, René Herculano do Forum de ONGs Aids Ceará, afirmou que os fóruns estão fragilizados diante dos desmonte das políticas públicas, “no entanto isso nos tem mostrado que juntos podemos fazer a diferença. Vamos para o embate para não aceitar esse desmonte. Mais do que nunca os fóruns precisam se organizar em suas bases e unir com outras redes. Não vamos nos calar, vamos mostrar que estamos vivos. Que essa luta seja uma construção para levar nossa voz e bandeira para obter uma política de aids mais respeitosa.”

Marcos Paiva, da Secretaria de Saúde do Município de Fortaleza, lembrou que a data em que se abre o evento, dia dos namorados, é também sinônimo de luta. “Amar e ser amado é também um ato de resistência. Que essa vivência feliz, de amor possa ser representada e perpetuada. Que possamos resistir à cada ato, a cada encontro.”

A ativista da RNP+ Ceará, Credileuda Azevedo, se emocionou ao parabenizar o esforço das pessoas que vivem com HIV que estão presentes no encontro. A maioria delas se deslocou para a cidade de Fortaleza via terrestre enfrentando viagens de até 32horas.

No encerramento, Jair Brandão, representante da RNP+ Brasil finalizou a mesa também em tom político. “Estamos caminhando para um retrocesso, na violação de direitos. Por isso, essa foi uma mesa de peso político e de representatividade. Precisamos voltar a discutir a atenção integral às pessoas que vivem com HIV/aids. Não se discute mais a prevenção positiva e a atenção básica não está estruturada para receber as pessoas que vivem com HIV/aids. Na quarta década da aids, corremos o risco de voltar para uma situação que foi vista no início da epidemia. A gente precisa fazer com que o retrocesso não chegue e volte para o passado.”

Jéssica Paula (jessica@agenciaaids.com.br)

A Agência de Notícias da Aids cobre o V Encontro Regional da Rede de Pessoas Vivendo com HIV com apoio doDepartamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis.

 

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