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Durante Enong, ativistas protestam contra retrocessos na política de aids do Brasil

18/11/2019 às 15:39:22

Aos gritos de “a aids mata!” e “queremos liberdade” ativistas protestaram contra retrocessos na política de aids do Brasil na noite dessa quarta-feira (13). A manifestação reuniu na Praça da Liberdade os participantes do 20º Encontro Nacional de ONGs, Redes e Movimentos de Luta Contra a Aids, o Enong, que acontece do dia 11 a 14 de novembro em São Paulo.

Os manifestantes seguravam cartazes com dizeres como “livre das patentes”, em referência às políticas de preços abusivos por parte da indústria farmacêutica e “não ao látex” devido à recente aquisição de preservativos internos fabricados em látex em substituição às camisinhas de borracha nitrílica. Os ativistas reivindicaram também mais atenção aos serviços especializados e denunciaram o desmonte do SUS e da política de aids no país.

“O fortalecimento de serviços especializados é fundamental para continuar o enfrentamento dessa epidemia. Sem isso, vamos fracassar na resposta à aids aqui no Brasil. Não podemos retroceder mais, não podemos compactuar com a política que o Ministério da Saúde tem feito na política de aids, não podemos ser tratados como iguais no enfrentamento dessa epidemia, devido às nossas especificidades”, disse o presidente do Fórum de ONGs Aids do Estado de São Paulo, Rodrigo Pinheiro ao enfatizar que a aids continua sendo um problema de saúde pública.

Da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids no Amazonas, Rafael Arcanjo afirmou que ninguém está imune ao HIV e à aids. Este é um grito contra um governo genocida, estamos sendo mortos lentamente por uma onda conservadora onde a gente não pode falar de sexo, uma onda onde querem nos ditar o que nossos corpos devem ou não devem fazer. A aids mata por esse viés.”

“O Brasil é um país que já foi referência e agora são 12 mil mortos por aids só este ano, completou Rafael ao lembrar a última campanha contra Infecções Sexualmente Transmissíveis promovida pelo Ministério da Saúde. “Essa campanha cerceia todos os nossos atos, ela nos diminui.”

Já Evalcilene Santos, do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas, afirmou que “as mulheres não vão aceitar preservativos femininos/internos de látex. Látex é igual à morte. Não aceitamos o que este governo impões para nós. Somos mulheres vivendo com HIV/aids e temos uma vida sexual ativa. Precisamos de prevenção, de tratamento, de cuidado, de saúde e precisamos também de medicamentos voltados para o corpo feminino. Nosso corpo está deformado porque os medicamentos não foram feitos para os corpos femininos. Não queremos que o machismo nos mate.”

“Essa política vergonhosa que permite que nossas crianças nasçam com HIV. Que faz com que mulheres só descubram o vírus durante o pré-natal. É essa política fundamentada em uma religião que nos silencia, que diz que a gente não pode falar de sexualidade, porque é incitar a prática precoce do sexo. Mas quando a gente vai ver, o número de crianças que nascem com o vírus é crescente no nosso país. O que essa política de estado vai dizer para essas crianças?”, complementou Vanessa Campos, da RNP + do Amazonas.

Ao final, Jorque Beloqui ressaltou que precisamos que a população esteja informada sobre como se previnir do HIV e das outras ISTs. Não é deixando de dar informação e nem as ferramentas de prevenção que vamos acabar com isso”, concluiu.

Agencia Aids

 

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